Reflexão
Parece engraçada a forma que buscamos para nos relacionar, mas não é.
Estamos sempre criando expectativas sobre os nossos relacionamentos sejam eles quais forem. Esperando sempre do outro o cumprimento das regras estabelecidas e qualquer coisa fora desse padrão é motivo para criarmos uma celeuma. Vivemos projetando no outro a forma perfeita que nos agrade e encante, mas esquecemos que o verdadeiro encanto, o milagre da perfeição está exatamente em aceitar a emoção como ela é como vem pra nós. Pode parecer difícil, mas se não criássemos regras de como deve ser o comportamento do filho, do marido, do amante, do amigo e dos demais, viveríamos de forma mais plena o milagre de uma relação. Nunca pensamos nisso é verdade, mas há coisas que nos levam a pensar acerca desse assunto, e, diria que o que me fez despertar para essa questão foi a brilhante obra de William P. Young em seu livro “A Cabana”. Impressionante como as coisas que lemos nos levam a reflexões a respeito de nosso comportamento. Sempre tive por princípio não criar expectativas com relação às pessoas, mas esses princípios sofrem mutações ao longo de nossa existência e por mais convictos que estejamos, lá no fundo, bem no fundinho de nossa alma, estamos sempre tecendo um script para sermos verdadeiramente “felizes”. Dentro desse contexto há sempre uma regra a ser seguida pelo outro que, supostamente, nos fará responsabilizar a falta desse comportamento, do cumprimento dele, como causa de nossa felicidade ou infelicidade. Precisamos refletir mais sobre a natureza humana e as suas relações, precisamos ser menos convencidos da perfeição que achamos ser e do fundamento das regras. Precisamos por fim, acreditar que a independência total faz de nós seres caóticos e carentes, meninos grandes que cultivam monstros em seus corações e se assombram com eles. Nesses tempos de tanta violência e tantas catástrofes passar momentos encantadores com uma narrativa a cerca de um homem que encontra Deus é fantástico demais ou senão uma coisa até pueril. Mas quem de nós já não pensou em ter todas as respostas para tantos paradigmas?
E será que dentro desse milagre que é o de fazer pensar seja esculpindo,escrevendo,pintando e em tantas outras formas de arte, não seja realmente uma forma que o “Ser da criação” encontrou para nos dizer, nos responder tantos questionamentos e nos dar a fórmula perfeita para buscar a felicidade? Não sei, honestamente não sei. Só posso dizer que mãos e mentes que pensam que escrevem coisas como estas devem mesmo estar mais perto de Deus. E em momentos tão conturbados de nossa existência é muito bom pensar, acreditar que haja outro foco em nossas vidas, que tanta solidão e dor tenham um propósito divino para nos ensinar como seja relacionar-se e ver a vida com olhos menos críticos e ter as emoções mais livres julgando menos e amando mais.
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